Novo material de língua portuguesa do Sistema Anglo traz gramática alinhada às exigências da BNCC

Ideia é que a gramática seja compreendida junto aos textos, como instrumento de leitura e interpretação, e não tratada como um conteúdo em si

O novo material do Sistema Anglo, que será usado a partir de 2020, vai apresentar os conteúdos de gramática já em sintonia com as exigências da nova Base Nacional Comum Curricular (BNCC).

Homologada pelo Ministério da Educação (MEC) em 2017 (Ensino Fundamental) e 2018 (Ensino Médio), a BNCC é um documento que define o que os estudantes devem aprender a cada ano da educação básica. Na área de Linguagens e no componente curricular de Língua Portuguesa, a orientação relativa à gramática é que ela seja ensinada junto aos textos e não de forma isolada.

“Isso significa que o foco maior é na língua e como ela é aplicada e usada de acordo com a intenção do autor e a finalidade do texto. É uma coisa mais viva e mais interessante para o aluno, pois ele compreende a gramática associada à interpretação e à produção de um texto”, diz Leila Rensi, autora do material de Língua Portuguesa do Ensino Fundamental do Sistema Anglo.

Leila esclarece que o material do Anglo que está sendo utilizado hoje já tem uma série de aspectos que cumprem as determinações da BNCC. Isso porque ele tem como base os Parâmetros Curriculares Nacionais (PNCs), cujos princípios nortearam a elaboração da BNCC. “A gramática já é ensinada a partir do texto. A diferença agora é a ênfase maior nessa relação. O que vai ser dado em gramática será definido pelo texto previamente escolhido”, afirma.

Ela conta que a sequência do material de português sempre é texto e análise (interpretação); gramática; e produção de texto (baseada no gênero textual escolhido e na gramática apresentada). São três setores integrados, e o material que está sendo produzido já traz uma proximidade muito maior desses eixos, atendendo às exigências da base.

Como exemplo do ensino de gramática a partir do texto, ela cita a análise das palavras escolhidas pelo autor, como determinados tempos verbais e adjetivos. “Podemos perceber intenções que, muitas vezes, estão implícitas, como ironia, descrédito. Numa reportagem, se o jornalista é contra uma determinada medida, ele pode usar palavras que dão a entender que não concorda com aquilo”, exemplifica. O mesmo ocorre com a pontuação. “Uma interrogação no título ou um texto com frases curtas e ponto final, e não com orações encadeadas, carregam um determinado efeito de sentido”, explica.

Outro exemplo dessa gramática “viva” vem do material do 6° ano, em que foi trabalhada a canção Asa Branca, de Luiz Gonzaga, que tem a letra com muitas marcas de oralidade (“Quando oiei a terra ardendo…”). “Na gramática tradicional, isso seria considerado um erro. Mas hoje vemos como uma variedade linguística típica do Nordeste, que revela a cultura dessa região. Se corrigirmos a letra, por exemplo, eliminamos o regionalismo, a oralidade, os aspectos da cultura nordestina, enfim, descaracterizamos totalmente a música”, afirma.

A autora, no entanto, faz uma ressalva. “Isso não quer dizer que as regras gramaticais não importam ou que não precisamos mais conhecê-las, mas apenas que isso agora está posto de uma outra maneira”. A gramática deve estar a serviço dos sentidos do texto, na leitura e na escrita. “Os alunos devem saber usá-la nos textos que leem e escrevem”, afirma. “A centralidade do ensino de português é o texto”.

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