Férias devem ser período de descanso e descobertas

Crianças e adolescentes precisam ter a rotina alterada e experimentar novas vivências; aprendizado não ocorre só no ambiente escolar

Quando chegam as férias, é comum os pais procurarem opções para entreter os filhos. Muitos também se perguntam se é um bom momento para retomar alguns conteúdos da escola ou como equilibrar lazer e aprendizado. Para Mariângela Petrosino, assessora pedagógica do Sistema Anglo, é preciso respeitar que férias são férias e, portanto, um período de descanso da escola. “As atividades devem ser lúdicas, mas isso não significa que não tragam conhecimento”, diz.

Segundo ela, não costuma ser produtivo quando os pais assumem o papel de professores e tentam reproduzir o ambiente escolar em casa. Isso pode estressar a relação familiar, desmotivar as crianças e os adolescentes e até criar uma rejeição à escola. “Não é preciso mandar fazer a lista de exercícios de matemática, mas pode-se propor um jogo de tabuleiro ou, numa viagem, a brincadeira de somar os números da placa do carro da frente”, exemplifica.

No período de férias, o mais importante, de acordo com ela, é mudar a rotina. “Aprende-se muito com a mudança. O cérebro deve ser constantemente estimulado, mas não precisa ser apenas o estímulo da escola. Outras experiências também desenvolvem habilidades e geram aprendizados”, afirma.

Quem pode viajar, só o fato de estar num ambiente diferente do dia a dia já vai ser um estímulo interessante. E, durante o percurso, a experiência pode se tornar ainda mais rica. “Os pais podem contar histórias da infância ou da família e mostrar as paisagens. A criança vê a Serra do Mar, por exemplo, que só conhecia dos livros”.

Mesmo para quem não viaja, é possível vivenciar experiências diversas. Ela sugere ir a um parque ou praça, jogar bola, pular corda, conhecer novos colegas, andar de patins ou bicicleta. Ou, simplesmente, fazer uma atividade diferente, como cozinhar, cuidar de uma planta ou observar os bichinhos de um jardim. “Tudo isso faz parte da aprendizagem. Novas informações colaboram para a escola, assim como a escola também colabora com os outros saberes”, pontua.

Quem mora em cidades maiores, que tem museus, também pode aproveitar esse recurso. Em geral, tem um dia da semana que a entrada é gratuita. Além do acervo, dá para observar a arquitetura e conhecer um pouco da história da cidade. “E conversar sobre o que se viu — moradores de rua, por exemplo — também é importante e ajuda a trazer questões novas para a discussão”.

Outra opção, ainda, é incentivar a leitura. Mas é importante dar a oportunidade para a criança escolher o livro que ela quer ler. Se ela não tem o hábito da leitura, vale uma visita a uma livraria, onde poderá explorar o local com calma e encontrar algo de que goste. “Eles podem se interessar por histórias que retratem o que estão vivendo — no caso dos adolescentes, por exemplo, que falem de namoro. Também há vários clássicos da literatura voltados para o público infanto-juvenil e em formatos como mangá ou história em quadrinhos”, sugere.

Para os menores, é importante ter o momento de sentar e ler junto ou fazer leitura intercalada, em que o adulto lê alguns parágrafos, até eles sentirem que o livro é interessante. Nos dois casos, é válido perguntar sobre o enredo para ajudar na interpretação e também fazer links com alguma história que a família viveu ou fato real. “Mas devem ser perguntas de uma conversa comum e não questões com tom professoral”, adverte Mariângela.

Outra ideia, também para os pequenos, é criar uma mala de férias a partir de uma caixa de sapato que pode ser encapada e decorada com colagens e desenhos feitos por eles mesmos. Nela são colocados pequenos objetos que a criança vai coletando ao longo do período, como conchinhas, pedrinhas, graveto ou um palito de sorvete. Todo dia, ela tem que achar uma coisa interessante e guardar. No fim das férias, a criança abre a caixa e vai vendo as lembranças e contando o que aconteceu, do que gostou, e isso se torna uma conversa bem rica com a família.

“Às vezes, os pais perdem oportunidades não só de proporcionar novas experiências e desenvolver habilidades, mas de criar e estreitar os laços com os filhos. O que torna a pessoa um bom aluno é despertar nela a curiosidade, o interesse, a educação, a civilidade. O importante é desenvolver o ser humano que está lá e precisa ser trabalhado”, conclui.

 

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