Material do Sistema Anglo vai incluir Filosofia no Ensino Fundamental II

Ideia é formar sujeitos ético, questionadores e que tenham autonomia de pensamento

A partir de 2020, o material didático do Sistema Anglo de Ensino passará a contar com conteúdos de Filosofia para os alunos do Ensino Fundamental II. “Reconhecemos a importância dessa disciplina para a formação integral dos estudantes”, diz Gianpaolo Dorigo, autor de Filosofia do Sistema Anglo de Ensino.

Para ele, a Filosofia é muito importante por dois motivos. Em primeiro lugar, porque ajuda na construção da autonomia dos indivíduos, uma vez que a Filosofia é uma modalidade do pensamento que tem no seu horizonte o conhecimento de si mesmo, do sujeito pensante. “O questionamento sobre o mundo e o significado das coisas é fundamental porque nós mesmos fazemos parte desse mundo”, diz.

Um segundo ponto é que a Filosofia inclui uma reflexão sobre os fins das ações humanas ou mesmo da existência humana. “Dessa forma, ela nos ajuda a pensar sobre como agir corretamente tendo em vista esses fins. Resumindo, a Filosofia ajuda na construção de sujeitos éticos, que me parece ser o objetivo central da educação”, afirma o autor.

Dorigo aponta que a filosofia se faz por meio do diálogo, o que implica não somente no debate e na discussão, como também no contato com textos bastante variados, incluindo desde textos da tradição filosófica até produções literárias. Dessa forma, desenvolve nos alunos a capacidade de argumentação, de leitura rigorosa e de produção textual.

E, na medida em que a Filosofia pretende “pensar o pensamento”, ela acaba incluindo uma articulação com todas as outras disciplinas. “As práticas de discussão, entendimento de texto e produção textual têm conexão com os estudos de Linguagem. A reflexão sobre a percepção do mundo material se relaciona com a construção do discurso das Ciências da Natureza. A lógica se relaciona com a Matemática”, exemplifica.

O autor ainda destaca que a Filosofia não visa a obtenção de um conhecimento prático, de uso imediato, e mesmo as conexões com outras disciplinas acabam sendo quase que um “efeito colateral”. A vantagem da Filosofia estaria então relacionada ao processo de construção do sujeito autônomo, o que não pode ser medido objetivamente ou apontado por indicadores quantitativos. “A graça toda está no fato de que a reflexão filosófica ajuda a questionar justamente a necessidade de um saber que só é legitimado por ser prático ou um ensino que só pode ser aceito se avaliado com medidas quantitativas”, diz Dorigo.

De acordo com ele, uma característica notável do novo material do Anglo é que ele não pretende oferecer um curso de história do pensamento. “Não queremos ‘ensinar’ um conteúdo filosófico, pelo contrário, pretendemos ajudar o aluno a ‘filosofar’, pensar por conta própria. O curso todo foi criado a partir da reflexão sobre conceitos e da problematização de questões que de alguma forma fazem parte do cotidiano do aluno, mesmo as mais óbvias, que em geral ninguém se preocupa em questionar”, explica.

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