Trabalho em grupo ajuda na socialização e estimula a aprendizagem das crianças

Professor deve mediar as relações, garantir a participação de todos e valorizar a diversidade

Na Educação Infantil, as atividades realizadas em grupo desenvolvem uma série de habilidades nas crianças. Os trabalhos coletivos auxiliam o processo de socialização, estimulam as trocas de saberes e experiências e proporcionam uma compreensão sobre a construção do conhecimento. “Eles vão percebendo que um sabe uma coisa e outro sabe outra e que é possível unir tudo isso. Também há um despertar para as diferenças de cada um, nas várias formas de pensar e agir, o que pode levar a mudanças de pensamentos e de atitudes das crianças”, diz Fernanda Braga Lopes, assessora pedagógica do Sistema Anglo.

Fernanda explica que as atividades devem ser propostas de acordo com a faixa etária. Com os menores, de 2 a 3 anos, os trabalhos em grupo podem acontecer por meio de brincadeiras e interações lúdicas, como as que envolvem blocos de montagem. “Para construírem algo, como um prédio ou um foguete, por exemplo, eles pensarão juntos na ideia e, para colocá-la em prática, precisarão da colaboração de todos. Então, um pegará o bloco, o outro escolherá a cor e assim por diante. O professor deve acompanhar e fazer mediações para que todos participem”.

Já as crianças maiores, de 4 a 5 anos, são capazes de elaborar um cartaz, onde podem desenhar e escrever palavras. Da mesma forma, o professor faz intervenções para que as tarefas sejam bem distribuídas e incluam a participação de todos, respeitando as diferenças e singularidades. A ideia também é pensada coletivamente, mas cada um será responsável por uma parte da confecção do cartaz, como escrever ou recortar.

A assessora destaca a importância do olhar atento do professor no momento da formação desses grupos para garantir a diversidade do conjunto, a atuação de todas as crianças e melhor interação entre elas. “O professor deve identificar as características e pontos fortes de cada aluno para não prejudicar alguns e favorecer outros. Uma criança que é mais tímida e precisa ser estimulada a participar não deve ficar num grupo em que todos são extrovertidos, por exemplo.”

Quando são os próprios alunos que montam os grupos — o que deve ocorrer algumas vezes, pois trabalha-se a questão da escolha e da decisão — o professor deve ajudar as crianças a diversificar o grupo e intervir para as mudanças necessárias, como não permitir “panelas” (agrupamentos sempre com as mesmas crianças) e garantir que ninguém fique sem grupo.

O professor também deve garantir que cada criança tenha trabalhado, pelo menos uma vez no ano, com todas as outras e que nenhum aluno deixe de ser escolhido para uma atividade. “Mesmo que ele não queira participar, é preciso investigar as causas”, alerta Fernanda. Ela também sugere não silenciar os conflitos que possam surgir. O ideal é que sejam trazidos para uma reflexão com o grupo.

“A própria escola em si é resultado de um trabalho coletivo, pois ninguém faz nada sozinho; nem os alunos, nem os professores. No mundo do trabalho isso também é uma realidade — sempre estaremos envolvidos numa atividade em que precisaremos do auxílio de alguém. Assim, já vão aprendendo o que cada um tem a contribuir com o outro e como são importantes essas relações”, afirma a assessora.

4 comments

  1. A informação chega para cada um a partir de um ponto de vista. E é através da comunicação que completamos nosso conhecimento. A partir dessa ideia a Fernanda Braga discorre muito pertinentemente sobre o como as crianças aprendem a se relacionar adequadamente, respeitando cada uma o ponto de vista da outra. Muito interessante a forma de discorrer sobre o assunto. Vale a pena ler e incorporar o conhecimento ali contido. Parabéns à Fernanda pela qualidade do discurso.
    Colégio VIP-Serra

Escreva um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *