Criança no centro do ensino: como as propostas da BNCC podem ser incorporadas nas atividades com os pequenos

Nova base estabelece cinco campos de experiência; para cada um há objetivos de aprendizagem e desenvolvimento de acordo com as necessidades de cada faixa etária

Na Educação Infantil, uma das principais novidades trazidas pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC) é a concepção da criança como protagonista da sua aprendizagem. A ideia é que ela carrega consigo uma gama de conhecimentos aprendidos no ambiente familiar, antes de entrar na escola, e essas experiências não podem ser ignoradas, mas sim consideradas e ampliadas para o desenvolvimento das suas potencialidades. “Esse entendimento amplia o objetivo da educação, que passa a ser, além de intelectual, também cultural, emocional, física e social”, diz Rosângela Zanesco, assessora pedagógica do Sistema Anglo.

Ela explica que a BNCC estabelece cinco campos de experiência — O eu, o outro e nós; Corpo, gestos e movimento; Traços, sons, cores e formas; Escuta, fala, pensamento e imaginação; e Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações — que indicam os aspectos fundamentais para que a criança aprenda e se desenvolva. Eles também buscam garantir os seus direitos de aprendizagem: conviver, brincar, participar, explorar, expressar e conhecer-se.

A assessora destaca a importância do direito de brincar. “Quando a criança brinca, ela experimenta uma série de coisas — compartilha, se relaciona, organiza emoções, aprende regras, testa habilidades físicas, motoras, de linguagem, aprende a cooperar, liderar, competir, manifesta sensações e desprazeres”. De acordo com ela, o brincar na Educação Infantil oportuniza muitas possibilidades, cabendo ao professor oferecer os recursos e os espaços planejados intencionalmente para a promoção do desenvolvimento de cada uma dessas possibilidades.

Assim, é importante que o professor estude e entenda que para cada campo de experiência há objetivos de aprendizagem e desenvolvimento que consideram as características e necessidades de cada faixa etária — bebês (de zero a um ano e dez meses), crianças bem pequenas (de um ano e sete meses a três anos e onze meses) e crianças pequenas (de quatro anos a cinco anos e onze meses).

O professor deve garantir que os alunos, em cada fase, exercitem seu protagonismo, tanto na criação, como na realização das atividades em sala de aula, na escolha das brincadeiras, dos materiais e dos ambientes, desenvolvendo linguagens e elaborando conhecimentos.

“É importante incentivar cada aluno a tentar soluções, perguntar e interagir, em um processo muito mais voltado às possibilidades abertas pelas interações infantis do que a um roteiro de ensino preparado pelo professor”, pontua.

A assessora lembra, ainda, que as diretrizes pedagógicas, os eixos estruturantes, os direitos de aprendizagem, os campos de experiências e os objetivos de desenvolvimento estão todos muito bem explicitados no Manual do Professor do Sistema Anglo de Ensino.

Como exemplo de atividade, Rosângela cita um circuito, que pode ser montado em um  espaço da escola. Os obstáculos podem ser preparados pelas crianças, com caixas de papelão, cabos de vassoura, pneus, tatames, colchões, cones de diversos tamanhos, almofadas, garrafas pet etc.

Cada criança terá que subir, descer, passar por cima, por baixo, por dentro, por fora, para a direita, para esquerda (de acordo com a idade) e deverá concluir o circuito antes do término de uma música escolhida pela turma. Ao encerrar o circuito, ela imitará os gestos e sons produzidos por um animal que ela escolher, e os colegas terão que descobrir a que animal se refere a imitação, montando um quebra-cabeça de quatro peças, pintado pelas crianças, em cartolina ou outro papel de tamanho grande. Após o primeiro circuito, as posições dos materiais são alteradas e as crianças terão que ultrapassar os obstáculos em duplas, uma auxiliando a outra. A música será escolhida pela dupla, assim como a imitação do animal.

“Isso mostra como uma simples atividade permite trabalhar vários campos de experiências e ampliar os objetivos, nas diferentes faixas etárias da Educação Infantil”, conclui a assessora.

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